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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Como se libertar dos vícios

NOTA DO AUTOR: essa postagem, deve-se exclusivamente ao tema dos vícios e como viver sem eles, aproveitando que todos dizem desse assunto, e lembrando que o livro que falamos no texto, é esse, O Conto do Noctâmbulo, LINK AQUI. Boa Leitura, amigos(as), comentem à vontade e agradeço imensamente às visitas que a página recebe. Obrigado.


 




COMO SE LIBERTAR DOS VÍCIOS






O que é mostrado em nosso livro (projeto) O Conto do Noctâmbulo, desde 1997 no papel, desde 2012 on line, agora dizem ser uma verdadeira praga urbana – o fato é que não há nada de pragmático no crack, desculpem o trocadilho, e tão pouco no que dizem, que não há cura para o viciado e que o melhor a se fazer é aplicar a internação compulsória, quando ainda há tempo para se fazer alguma coisa. Meus leitores, o que é pior para a sociedade do que iludir mais ainda seus viciados? Que por vezes a própria sociedade formou, dizendo que não há cura para o vício deles e que, no máximo, o que poderão fazer é trabalharem com a recuperação de outros paciente; onde, por vezes, não houve recuperação alguma. Mas já os aviso que há uma real recuperação sim, a reabilitação existe sim, mas não é como imaginam e nem ao menos se precisa de uma clínica ou qualquer outra coisa que seja, exceto um(a) psicólogo(a) de muita responsabilidade e um(a) médico(a) competente, para que acompanhem algumas instabilidades de saúde, digamos assim; mas ainda assim, esses dois profissionais, e um terceiro também, um religioso, para aqueles que acham que religião é profissão lavrada de fé e não caminho que se segue ao longo da vida... Mas garanto que nem ao menos esses dois ou três profissionais são imprescindíveis para a recuperação de um ser, não, definitivamente não, só duas coisas ou apenas uma é necessária, uma é claro é Deus, mas Deus é tão preciso e leal, que nem a menos precisamos dizer que precisamos Dele, pois ele já está pronto, esperando para dar uma nova vida a que desejar verdadeiramente te-la, mas vamos incluir Deus, claro, sempre, e, o imprescindível, sem dúvida, é a pessoa querer ser liberta dessa vida de repetições no vazio, esse é o termo que ouvi, libertação, e que melhor reflete o processo que se passa e que agora eu vou explicar como é. O Como se faz para se abandonar os vícios.





Lembro-me como se fosse hoje, uma vez que fui em uma banca de jornal comprar gibis e folhei por confusão, um livro daqueles de simpatia, pequenos feitiços, encantos que servem para atrair sorte, acabar com sorte alheia, essas coisas. E tinha uma simpatia que não esqueço, que era “Como fazer o Filho/Marido Abandonar o Vício”, não lembro ao certo como era, mas seria algo como “pôr algum corpo estranho na garrafa como uma fava, um preparado especial”, não lembro, mas era algo assim. E claro, nunca fiz isso a ninguém, será que fizeram a mim? O Fato é que parei de beber, mas não pensem que era apenas beber, não, era uma obsessão pela bebida, uma ânsia que não me deixava dormir de madrugada, e se eu deitava as duas e meia da manhã, depois de beber das seis da tarde até aquele horário, eu ainda saia de casa as quinze para as três da manhã, para procurar onde beber mais, às vezes sem um real no bolso, outras vezes tão alcoolizado que nem ao menos conseguia ver as coisas sem elas estarem embaçadas e outras vezes, perdido demais em ansiedades e tensões, que sequer conseguia parar de pensar em beber, sempre mais, teve dias em que eu fiquei três ou quatro dias acordos só bebendo. Realmente era uma situação lastimável, e não pensem que era bebida fina não,eram só doses fortes, “espirituosas”, era mais pela loucura mesmo. Era geralmente, pinga, cachaça em corote, era mais, muito mais que insano, era um tal de copo a boca e cheiros insuportáveis de álcool que se exalavam de meu ser, e desconfio que ainda hoje a aura alcoólica me acompanha, onde aqui se faz, aqui se paga. Mas esse texto não é para falar de coisas tristes, poxa a vida... Esse texto é para dizer de como sair do mundo da destruição causada pelo vício. Certa vez discuti com amigos esse meu método de abandonar os vícios e me disseram que com o crack não funcionaria, e eu digo que sim, esse método funciona com todas as drogas pois os mecanismos são os mesmos.


Sabe o que acontece? Geralmente quem fala de e faz as política pública contra as drogas é careta e refém de pragmatismos, de posições, de acordo ou votos. Eles não sabem o que tem em mãos. Toda essa tragédia das drogas na nossa vida hoje começou justamente com a repressão do ex presidente norte americano Nixxon, que iniciou uma guerra mundial contra os “estrangeiros de hábitos estranhos”, em referência ao cigarro de marijuana dos mexicanos. Acontece o seguinte: em 1900 anos de história de humanidade na era cristã, salvo um ou outro momento, não tínhamos a ilegalidade da maconha, nem da cocaína, do ópio, do vinho do que fosse... , do cigarro (apesar que o cigarro é a droga mais caçula dessas citadas)... E se não temos ilegalidade não temos “recursos naturais”, digamos assim, para os criminosos atuarem, lembrem-se, os criminosos trabalham na ilegalidade.


Agora me digam, simplesmente começam a decretar que as drogas não prestam e que são ilegais, todavia se esquecem que as drogas estavam ligadas às culturas dessas populações. Ademais desse aspecto, temos um outro que, creio, ser de extrema importância também, tudo aquilo que nos é proibido atiça mais a nossa curiosidade, como se alguém dissesse, não faça, e aí que o outro faz. Acrescente a isso o poder que o crime exerce sobre algumas pessoas, que se vendem com a falsa ilusão de status criminal, dinheiro “fácil”, mas que custa muito caro, ao custo das vidas, dos sofrimentos, das perturbações de todos os tipos, dos medos, e de muitas outras coisas piores. Imaginem só. Alguns se atraem nos caminhos do crime, muitos se perdem usando uma pedra de crack no fim da noite e quando veem, estão fumando em plena terça feira, as onze da manhã. Muitos jovens experimentam a bebida, no point da cidade ao qual tem acesso, e muitos ainda, onde as eras mudam as gerações, mas os hábitos ancestrais permanecem inalterados, mesmo já ébrios, desejam algo mais forte e creio que todos aqui conhecem a escadinha das drogas, começa em uma depois passa para uma outra mais forte, aumentam as doses, aumenta a frequência do uso, e por aí vai. Destruição atras de destruição, oculto por detrás de muito sorriso solto e muita audácia pela degradação, nada mais que ilusão. E isso são só alguns exemplo, de casos e casos que temos, as como decretamos que as drogas não presta e consequentemente que usa ou mexe com drogas não presta também, nós simplesmente ignoramos, julgamos, denunciamos as autoridades e fazemos de conta que o problema não é nosso, que não é um de nós que está ali sofrendo – e muitos ainda fazem comercio desse sofrimento, usando nossa tão amada palavra libertação como sinônimo de fanatismo deturpado, como desculpa para doutrinar, ou seria mais para a aparecer mesmo?


Mas o vale aqui é ter chegado a uma importante visão, que o mundo dos vícios, das drogas, dos exageros é uma ilusão, ao menos para quem é adicto e descontrolado, eu me permito dizer assim.


Quem enxerga assim já pode se libertar, quem não enxerga, deve procurar, antes, algo que o faça se lembrar do que era previamente a bebida ou as drogas, para ter uma âncora para se lembrar de onde veio e conseguir comparar, a vida que quer ter ou a vida que tinha com a vida que leva agora, entregue e jogado nas drogas, no alcoolismo ou nos dois..., no sexo desmedido, enfim. Agora quem nunca teve nada mais na vida além das drogas, deve anelar fortemente algo para se apegar, deve ter uma outra visão de mundo, como um grande amor, uma causa social, uma missão, algo que o faça se sentir útil e importante, algo que o faça se libertar. Quem só teve esse caminho, para libertar deve querer fortemente algo novo, uma nova vida,novos e bons sentimentos. E claro, eu creio que essa pessoa conseguirá.


Por exemplo, se é um índio que quer deixar de beber pinga e fumar crack, apesar de ser duas substâncias é um processo só e o índio jamais poderá voltar a beber novamente, por exemplo, no caso da droga licita; o processo de libertação é pleno e não há volta, sem dizer que retornar é muito perigoso e pode levar o ex ex usuário a óbito, mas creio nem ser esse o caso pois quem quer parar de usar ou fazer o que for, seguindo esse caminho, aqui apontado, tenho certeza, não pretenderá voltar mais para as trevas que veio, mas sim buscar a luz de que se lembrou pertencer ou buscar a luz que conseguiu enxergar. Agora vamos supor mais, no caso do indígena, além de crack e cachaça, ele, vamos supor, fuma maconha, também. Note que aqui a maconha não é algo ruim, exceto se ele fumasse mesclado regularmente, três vezes ao dia ou mais (maconha com crack em uma espécie de cigarro, nesse caso a ligação neuronial associaria a maconha ao crack), senão mesmo consumindo as três drogas em conjunto, ele poderia parar de usar, todas de uma vez, a princípio, mas não subitamente, veja abaixo, é necessário ficar uns dois ou três meses sem nada para que a psique da pessoa se readeque e já aviso, ele não será igual ao que era quando bebia, nem igual era quando não se drogava, ele terá uma nova psique, acostumando-se eternamente a viver em um mundo que estimula a todo momento a droga ou o álcool, ao mesmo tempo que considera impuro quem faz uso em demasia dessas substâncias -acontece que para um adicto não há apenas “uma dose”, mas sim, são “várias garrafas que se fazem necessárias”, é uma sede que não seca, que jamais sacia. Assim, nesses casos, o melhor a se fazer é parar de beber de vez. E só para terminar o exemplo do índio, se por um lado a escada das drogas funciona para ir piorando os vícios dos usuários, onde começa com uma fraca e passa para as mais fortes, também é possível parar de usar as fortes fazendo uso das fracas, o índio em questão depois dos três primeiros meses, um certo dia, ele vai querer voltar a participar de festas onde todos bebem e se drogam e, nesse caso, ele pode usar a maconha para se “recrear” enquanto amigos dele se drogam com coisas mais fortes, note que a bebida associa-se demais a droga química e beber certamente é um péssimo negócio, nessa nossa suposição, assim pode parecer estranho, mas a maconha aqui pode ser um santo remédio e pode ajudar o nosso índio a continuar mais meses sem pinga e crack. Para quem não sabe, já foram comprovadas ações terapêuticas da maconha, em diversos casos, tanto para favorecer o sono, quanto para dar apetite, ou para anestesiar dores, e alguns alegam mais, dizem de iluminações espirituais e controles de chacras com o auxílio da cannabis; misticismos a parte, o fato é que eu parei de beber mas ainda fumo meu cigarro, fiquei uns dois meses sem fumar também, claro e pense que algo assim pode acontecer nessa nossa escala das drogas que alias, parece que é as Nação Unidas quem define essa escala, mas ora, sabemos tal substância é melhor ou pior que outra.


O tempo também é muito importante para essa questão da desintoxicação. Assim, é possível parar sozinho, sem utilização de remédios, doutores e passes espirituais. Mas com uma coisa deve-se contar, como o Tempo. Existe um tempo para o usuário parar de usar, e claro, sempre há tendências, e o que seria tendência senão um tempo determinado a alguma coisa, como a tendência da moda ou a tendência as chuvas? Assim, há tempos propícios para parar de usar e tempos que não são bons para parar, com os tempos ruins para parar, pode-se citar o Final do Ano e o Carnaval, e os tempos bons para parar geralmente é na época depois do carnaval e também nas frias noites, onde o melhor a se fazer é cobrir-se em sua cama, com seu cobertor, para refletir sobre cada situação que já passou. Mas o tempo para para não é cronometrado, ele pode levar um certo tempo para se realizar, mas se realizará, com certeza. Tudo vai acontecer de acordo com tentativas, fracassos e sucessos para parar de beber ou usar outra droga, e repito, esse método aqui funciona com qualquer droga.


As etapas para libertar-se são três, como são três os passos para viver o aprisionamento. Abaixo temos um quadro sobre cada um desses extremos. O que posso dizer deles é que acredito e funcionaram comigo. Primeiro você tem que querer sair daquela vida, e por vezes lembro que eu bebia, eu saía de madrugada, de manhã cedo ou de tarde para ir atrás de bebida já com um certo peso em meu corpo, e a bebida não me trazia felicidade mas sim, a bebida me consumia e acabava comigo, mas o importante é que sobrevivi, muitos amigos meus viviam apostando quando eu morreria dizendo que não passaria dos 32 anos... A partir da consciência, é ir pedindo a nova vida e claro, tentar se afastar das bebidas, das drogas do que for. Parar de beber é complicado, dá irritabilidade, pânico, eu andava por tardes, noites, ainda bem que na época estava me preparando para ser carteiro e corria e caminhava para treinar para a prova física. É uma angústia, e uma perda. O viciado sente que está perdendo a batalha contra o álcool, a sua relação maluca com o crack ou seu momento relax com seu baseado, mas a pessoa não está perdendo nada, tá bom vai, está perdendo uma coisa, uma substância, ou duas ou até mesmo três ou mais, mas , todavia, entretanto, em compensação, está aberta a ganhar muitas outras coisas, milhares, milhões, mais até, pois irá se libertar de algo que o restringe, faz mal, o descontrola, deixa os sentimentos em estado lastimável, dá medo, e muitas outras coisas, cada um reage de um jeito a drogas, substâncias entorpecentes legais ou não... mas não tem outro jeito e ficar sem e garanto que é assim e funciona, é real, é querer, não são centenas de pessoas torcendo para que você pare, não no meu caso até alguns familiares achavam que eu não conseguiria parar, é você, é ele, é a pessoa que tem que querer e dizer “Eu vou parar, uma hora eu paro”, eu repetia isso em voz alta, e funcionou. Mas o tempo é complicado.


Você para, fica cinco dias sem se deplorar, digamos assim. Daí você recaí, é normal. Você depois deve tentar novamente, deve se focar e saber que recaiu porque a carne é fraca mas a vontade é mais forte e se tentar novamente conseguirá ficar dez dias, ou talvez sete ou talvez quatorze dias. Vai recair de novo, é normal, o seu corpo não aceita parar de usar, tem quem sente dor, quem sente dor de cabeça, quem se rasga todo, literalmente, quem anda o dia todo, quem dorme, e muitos sentem todas essas coisas. Vai ficar mais um tempo, 28 dias, mais ou menos, e sempre recai e recai feio – vem “b.o”, sai uma sentença judicial contra você, algo lhe decepciona demais e espere coisas ruins mesmos. Os espiritualistas dizem que isso se deve a ações de entidades pessoais ou não, que não aceitam ainda que a pessoa se liberte. Crenças a parte, o importante e que isso é uma provação sim e é bom, ao menos eu acho, que é bom ao menos tomar consciência disso. A pessoa deve aguentar firme, aguente firme, recai até, se não suportar o estresse da situação, a carga que se impõe sobre seus ombros calejados que já sabiam onde recorrer quando quiserem aliviar, ao menos enganosamente, tal carga aplicando-se devaneios autodestrutivos. Resista firma. Volte a cabeça no lugar e comece de novo, mais 28 dias mais três meses. Há quem recaia ainda depois dos três meses, é tudo igual. Começa de novo, vai na fé, tenta com mais convicção, não saia de casa se for o caso, coma o pão que o diabo amassou e sofra como um cão doente, jogado em uma noite em enxurrada em uma ladeira em que descem sucatas cortantes da esquina... E finalmente, depois disso, um belo dia amanhece e lá se vão dois anos que você não sabe mais o que é beber, que você não fica mais mal, que não enlouquece mais.... enfim, aliás, enlouquecer você vai, a vida continua, mas agora sua loucura não se fará perante o uso de álcool, ou crack, ou pó, na verdade nada disso importa, a maconha, a heroína, o ácido, a bala, o thinner, nada, nada disso importa. Importa uma coisa meu amigo, desde já meu muito obrigado a você que leu isso e insisto mais uma vez, tudo aqui foi posto a prática, por ironia do destino me viciei em álcool ao mesmo tempo em que escrevia o Conto do Noctâmbulo e se esse texto fala disso, também fala que houve aqui uma recuperação real, e agradeço imensamente a você que leu esse texto, de certa forma, você contribui para que meu livro continue a ser escrito e um dia termine com o melhor final feliz possível. Agradeço a sua atenção, a sua leitura e digo que só uma coisa é importa. É a pessoa. O importante é você. Sua história, sua superação, sua recuperação. Sua vontade. Poderia dizer sua família, mas para quem vive na rua e não tem, mas pode ter se quiser também, se alguma família lhe estender as mãos, você não irá se permitir ao abraço? Você ainda assim, ficaria aflito? Aí já é com você. Sei que passado esses dois anos, tem dia que o lado negro ainda me tenta pegar novamente, mas agora eu apenas o sinto, eu não compartilho mais das intenções do lado obscuro eu não persisto na maldade nem me alimento do imprestável. Se quiser está ali, no mercado é só comprar. Mas é claro que eu não quero, eu cheguei em uma convicção, pedi ajuda em silêncio a Deus, Ele prontamente me atendeu, me deu forças, consegui superar dores, lágrimas, frustrações, perdas, fracassos e mais... poderia falar de coisas maís-tristes, mas por fim só quero dizer da esperança. Que Eu também não via a hora de sair do emprego para beber, que por vezes ainda ia trabalhar meio de fogo, mas que tudo isso passou e como disse Jesus “Eis que faço novas todas as Coisas”.




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