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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Filosofia de Livros do Edson

O Filósofo Pós Século XX

A filosofia está (espontaneamente) morta. Ela deve ter falecido logo após a 2ª Guerra Mundial, mas isto não é definitivo. Ela nunca morreu de vez. Afinal, tudo que é abstrato (subject1 “– não se morre uma vez, nem de vez. Restam sempre muitas vidas para serem consumidas na razão dos desencontros de nosso sangue nos corpos por onde vai dividindo. Ficam sempre muitas mortes para serem longamente reencarnadas noutro morto. Mas estamos todos vivos” (DRUMMOND DE ANDRADE, 1998, p. 81). Evidentemente, Ludwig Wittgenstein (1889 – 1951), Michel Foucault (1926 – 1984) e Jean-Paul Sartre (1905 – 1980), entre demais filósofos modernos (contemporâneos) contribuíram (e contribuem), muito bem, diga-se de passagem, para a continuidade da filosofia, incluindo, ainda, suas respectivas revisões e atualizações conceituais; além de considerar o influir paradigmático dos modelos filosóficos aceitos como “ponderáveis”; porém, ao se afirmar que a filosofia está (estava) morta, se diz que a filosofia espontânea não nasce mais tanto quanto se nascia nas mente das pessoas (acadêmicas ou não). A filosofia deixou de ser requisito de mente fértil. Talvez o exemplo mais clássico seja Sócrates (399 a.C.) que levou a filosofia à Ágora (a praça pública), com suas deduções, seus silogismo, e sua argumentação lógica.

1 – Locke diz de Subjects – objetos-fôrmas – e de Objects – objetos como os conhecemos (táteis ou de abstrações) –; creio que são assim tal como o são as sombras da Alegoria da Caverna de Platão: formas padronizadas e formas replicáveis – interpretações livres do autor. N. de E. (N. de Nota e E. de Edson).

À partir do século XX, mais do que nunca, a filosofia, séria, levada em consideração (exposta e posta em reunião), passou a ser (talvez, até mais do que nunca) relegada aos centros acadêmicos e de estudos; e a filosofia da Ágora (da Praça, do Público; de expô-la, a filosofia, às grandes massas), deixou de existir; há quem diga que a “filosofia” é de gente visionária, meio lunática (ou das pessoas totalmente lunáticas e meias), mas isto não é filosofia “ponderável”, é no máximo “filosofia” de bar; assim, não podemos falar que há filosofia livre no mundo atual, uma vez que a filosofia de botequim não é filosofia (apesar de Marmieládov 2 quase fazê-la parecer ser “séria e grave”); e foi assim que a filosofia correta e (re)a-plicável, tornou-se especializada demais, demais, mesmo, para atender aos anseios do grande público & da sociedade (e dos doutores e mestres – e estar em acordo com as exigências do discurso, com as normas da ABNT, etc. –, isto, concomitante e simultaneamente).

2 –Personagem de Dostoievski em Crime e Castigo. O veio do pensamento deste personagem – Marmieládov - pode ser, deveras, observado nesta passagem:
“Por que não Trabalho? [...] Por que não trabalho? Mas não me dói a alma ver a abjeção em que me arrasto? Quando, há um mês, o senhor Liebiesiátnikov bateu na minha mulher com as próprias mãos, e eu estava deitado por causa da bebedeira, não sofri talvez? Dê-me licença, rapaz; já lhe aconteceu alguma vez... hum! Vamos, pedir dinheiro sem esperança alguma? [...] Ora, é pedir sabendo de antemão que não lhe darão. Mas se uma pessoa não o vai procurar, a quem é que há de acudir? É forçoso que todos os homens vão aonde podem ir. Porque estamos em uma época em que é preciso sempre se ir a alguma parte. Quando a minha única filha foi matricular-se na Polícia pela primeira vez, fui eu quem a acompanhei [...] – Não, Não senhor. Não! A mim, abanadelas de cabeças deixam-me na mesma, porque já toda a agente o sabe, e tudo quanto é mistério fica às claras, e é com serenidade e não com desprezo que eu o confesso. Seja! Ecce homo! Dê-me licença, o senhor poderia...? Mas não; devo me exprimir de maneira mais categórica e terminante: o senhor não poderia, sim, o senhor não seria capaz, olhando-me bem de frente, de dizer-me que eu não sou um porcalhão?” (DOSTOIEVSKI, 2002, p. 19-20).

Em Crime e Castigo, os nomes dizem de características físicas e psicológicas dos personagens, exemplo: Marmielad (em russo) significa confuso ou inseguro. Marmieládov, claramente, é um personagem com erudição, porém em grande decadência, em virtude do álcool e da pobreza. Analogamente, é entendido como o desespero humano de se apegar a algo: se se tem um bom emprego, é servidor público, tem-se uma bela casa, e romance na vida, então, se está no paradigma mundial do sucesso (e já se tem “tudo”); mas se não se tem isso, então, a pessoa se refugia, rebuscando-se na perdição, seja no alcoolismo, na droga-dicção, na prostituição, na alienação mental, etc., buscando, com isto, aquilo que ela própria, a pessoa em questão, irá chamar de vida e sonhos (a perdição de hoje e a maior perdição de amanhã). Marmieládov(Marmelo) perdeu o emprego, está sem dinheiro; do 1° casamento (dele) restouSônietchka (Sônia), a filha mais velha de Marmieládov; e, EkatierinaIvânovna (mulher atual de Marmieládov) vive lhe cobrando, pois ela era filha de Alto funcionário do Governo Russo, a Ekatierina, e ela foi-se casar com um porcalhão, ou seja, a própria Ekatierina se desespera pela pobreza em que foi forçada a viver; e, também, ela se desespera pelo esposo, um bêbado inveterado e incorrigível, que enfrenta severos problemas com a bebida. Enfim,Marmieládov vive seu desespero com vodka barata, cigarro vagabundo, peixe em conservas e pão amanhecido (passa de cinco dias bebendo, e etc....).Raskolnikov – personagem principal de crime e castigo – conhece Marnieladove acaba por se apaixonar por Sônietchka, que sem dinheiro, e com outros meios-irmãos para cuidar, ela se viu forçada a se entregar a prostituição para dar um pouco de alimento e “conforto” a sua família; por isso, quandoMarmieládov fala que quando a sua única filha foi matricular-se na polícia pela primeira vez ele, também, diz que não fui com ela; isto porque as prostitutas deveriam ter uma licença para circularem pelas noites da Rússia. E o pai nem foi acompanha-la quando da época que ela foi fazer esta licença... E esta é a filosofia de botequim, que até tem forma e conteúdo, mas a forma é ora livre, outrora elaborada por demais e o conteúdo é confuso e tende a alienações. Mas nada disto tira o mérito desta obra nem a grandeza de Dostoievski – afinal, o Marmieládov é, sem dúvida alguma, proposital. N. de E.

Deste modo, em pleno século XX, no século de grande difusão científica, acadêmica e cultural, o que se observou foi a declinação de interesses; além de poucos acréscimos à ocorrência de “novas teorias”, ou teorias melhores descobertas e / ou elaboradas, sobre as questões filosóficas, especialmente as relacionadas as áreas de metafísicas e de epistemologias sérias e atuais. Mesmo com o advento da internet, o que se verificou, de modo ressaltado, foi que a filosofia deixou de ser de um bom tom de status profissional e erudito e, talvez, se tornou algo que mais isole do que reunifique os homens. Não mais, apenas, era necessário, para ser filósofo, pós século XX, não mais era preciso apenas ser filósofo, mas sim ser filósofo com mestrado, com projetos, enfim... Outro ponto que dificultou a aproximação de leitores à filosofia, e o acesso de filósofos ao mainstream foi também a proliferação da cultura do best seller ou de uma maior procura por uma leitura mais descontraída e menos séria e sisuda. Além daquilo que todos fazem: as leituras de modismos, de tendências, etc.... Questões de transições de cultura. Se por um lado com um maior números de título e variedades de livros no mercado, os fez (os livros) se diversificarem, e se tiveram mais bem exploradas as questões relativas ao papel, a impressão e ao público leitor; por outro lado, a difusão mundial dos livros, e, mesmo, as facilidades de se obter um título online, contribuíram e muito para difundir o livro, a literatura, até mesmo a literatura técnica e científica, porém, a filosofia, em si, boa e palpável (como uma nuvem de ideias solidificadas – livros e textos filosóficos), ficou em segundo tom; principalmente, quando a lógica (e estrutura) da argumentação substituíram a originalidade da ideia / fôrma e só a estética (ou a falta dela) mais importava do que a sua utilidade. E em primeiro tom, certamente, veio o fator de vendagem e repercussão (e / ou audiência) dos títulos / autores.
Foucault, antes de dizer em Sua Ordem do Discurso sobre como se escrever, de modo claro e objetivo, precisamente nas exigências cabível a um texto considerado como um bom trabalho (exigências que ele próprio seguiria para redigir seus textos), assim argumenta:

“Pois parece, à primeira vista, que ao encontrar em toda parte o movimento de um logos que eleva as singularidades até o conceito e que permite à consciência imediata desenvolver finalmente toda a racionalidade do mundo, é o discurso ele próprio que se situa no centro da especulação. Mas estes logos, na verdade, não é senão um discurso já pronunciado, ou antes são as coisas mesmas e os acontecimentos que se tornam insensivelmente discurso, manifestando o segredo de sua própria essência. [...] Quer seja, portanto, em uma filosofia do sujeito fundante, quer em uma filosofia de experiência originária ou em uma filosofia de mediação universal, o discurso nada mais é do que um jogo, de escritura, no primeiro caso, de leitura, no segundo caso, de troca, no terceiro caso, e essa troca, essa leitura e essa escritura não jamais põem em jogo senão os signos. O discurso se anula, assim, em sua realidade, colocando-se na ordem do significante. Que civilização, aparentemente, teria sido mais respeitosa com o discurso do que a nossa? Onde teria sido mais e mais bem honrado? [...] Parece-me que sob esta aparente veneração do discurso, essa aparente logo-filia, esconde-se uma espécie de temor. Tudo se passa com interdições, supressões, fronteiras e limites tivessem sido dispostos de modo a dominar, ao menos em parte, a grande proliferação do discurso. [...] Há sem dúvida, em nossa sociedade, uma profunda logo-fobia, uma espécie de temor surdo desses acontecimentos, dessa massa de coisas ditas, do surgir de todos esses enunciados, [...] de desordem, também, e de perigoso, desse grande zumbido incessante e desordenado do discurso” (FOUCAULT, 2015, p. 99 -100).

E, a saber, Foucault diz de inversão (entendido como o autor e o ouvinte do discurso, a fonte do discurso e sua aplicação futura, etc.),descontinuidade (discursos são descontínuos, podem se cruzar, mas também podem se ignorarem ou excluírem), especificidade (assume-se que o leitor pode – e quase nunca terá – o nível de conhecimento que teve o autor ao escrever o discurso, a especificidade fala destes pontos), exterioridade (fixa as suas fronteiras) como as 4 exigências de um discurso apreciável. Respectivamente indicam: noção de acontecimentos (inversão), noção de série (descontinuidade), noção de regularidade (especificidade) e a noção de condição de possibilidade (exterioridade) (Foucault, 2015). Ademais a isto, segundo Foucault, o discurso ainda está sujeito a três eixos de influência (não necessariamente nesta ordem) histórico, temporal e de assimilação de ideias, as representações de uma engrenagem tri-composta de acaso, descontinuidade e materialidade que movimenta o discurso bem elaborado na roda do tempo, do espaço e das ideias.
Este é um debate muito profundo e se deve fazer a separação do que é investigação filosófica e do que é posto à altura elevada, semelhante a doutrinação dogmática, porém que não passa de enganações ou falta de noções básicas de epistemologia e metafísica, isto em abstrato; em realidade física, as percepções distorcidas (desconexas ou infundadas, que sejam), a falta de informações suficientes ou mesmo a carência de interesse em buscar a verdade são apontados como aquilo que por vezes se passa por saber, por dom, por conhecer; tal como as outras “falácias” e equívocos que se passam por “verdades”. Mas isto ainda é muito filosófico, devemos nos ater ao filosofo – objeto da argumentação deste texto –, que é quem propaga a filosofia em última análise. Se a filosofia morreu, os próprios filósofos a mataram, ou falharam em não a defenderem quando assim fosse oportuno.
A filosofia já se ocupou de muitas questões importantes, questões estas que pareceram totalmente desaparecidas ao início do século XXI, ao fim que qualquer explicação parece servir as pessoas mais simples, conquanto que apenas os artigos mais renomados são dignos de atenção de bons profissionais e pessoas sérias; enfim, e neste impasse, a filosofia-nata, relegou-se aos clássicos:

“Assim para começar esse exame, observo aqui, primeiramente, que há uma grande diferença entre espírito e corpo, pelo fato de o corpo, por sua natureza, ser divisível e de o espírito ser inteiramente indivisível. [...] eu mesmo na medida em que sou somente uma coisa que pensa nele [espírito] não posso distinguir nenhuma parte, mas concebo-me como uma coisa única e inteira. [...] todavia, estando separados de meu corpo um pé, ou um braço, ou alguma outra parte, é certo que nem por isso haverá algo suprimido de meu espírito. [...] Observo também que o espírito não recebe imediatamente a impressão de todas as partes do corpo, mas somente do cérebro, ou talvez até de uma a duas de suas partes menores, a saber, aquela onde se exerce a faculdade a que chamam o senso comum 3, a qual todas as vezes que está disposta da mesma maneira, faz o espírito sentir a mesma coisa. [...] Observo, ademais, que a natureza do corpo é tal que nenhuma de suas partes pode ser movida por outra parte um pouco afastada que não o possa ser também da mesma forma por cada uma das partes que estão entre as duas, embora esta parte mais afastada não atue” (DESCARTES, 2015, p. 109 - 110).

3 –Acréscimo do francês: a faculdade a que chamam. A referência é à glândula pineal, espécie de sede da alma no corpo, lugar pelo qual ela é informada de todas as modificações corporais. N. da T. Nota Original nº: 34

As reflexões (e meditações) sobre o estado (e a absoluta existência) da alma é algo muito apreciável e de muito bom tom na filosofia do séculos XVII e XVIII. Para Descartes (2015), a alma (o espírito) é alma totalmente claro e certo, e bastaria apenas excluir temporariamente os sentidos da alma, para que ela se desprendesse do corpo e pudesse, enfim, ter uma visão mais abrangente (e essencial) da realidade. Note que isto ainda tem relação direta com a escola escolástica e suas liberações de grilhões que mais confundem do que esclarecem os sentidos e a mente. Enquanto que Locke (2015), assume a existência de espírito e seres além da humanidade, mas diz que é muito incerto para nós, humanos, tentarmos categorizar tais seres:

“Mesmo as melhores noções ou a melhor ideia que podemos ter de deus vêm da atribuição das ideias simples de pensar e conhecer e querer, de existência sem começo e de poderes e operações que encontramos em nós mesmos (como o de movimentar, isto é, realizar movimentos, ou o de pensar, isto é, de realizar pensamento), aliadas a concepção de deus como um ser que é em si mesmo mais perfeito por possuir poderes do que seria se não os possuísse, e atribuindo-os a ele num grau ilimitado. Mas por mais que nos digam que há diferenças de ordens e espécies de anjos e espíritos, não saberíamos como moldar as ideias distintas específicas de cada um deles, e isso não por concebermos que a existência de mais de uma espécie de espírito é impossível, mas porque como não temos outras ideias simples aplicáveis a esses seres (nem somos capazes de moldar outras), a não ser a partir de umas poucas operações de nossa mente, alma ou como preferir chama-la, não temos outro modo de distinguir, em nossas concepções, diversas espécies de espírito, a não ser pela atribuição a eles, em maior ou menor grau, de operações e poderes que encontramos em nós mesmos” (LOCKE, 2015, p. 13).

Nada como uma retrospecção para melhor entendermos o agora.
O pensar é uma grande capacidade humana. Descartes dizia do penso, logo existo; Locke foi o progenitor do empirismo e da construção de um saber consciente.
Nós, humanidade, tendo assim umas capacidades tão envolventes e profundas, como o cérebro e a alma, e deveríamos, então, assinalá-las como magníficas e superiores (se é que já não o são de fato); e não apenas ser valorizada a juventude e o corpo como atributos de uma boa vivência humana e social. Se posso pensar e filosofar por que não irei fazê-lo?
Não foi graças ao Fruto Proibido que Adão e Eva foram expulsos do Paraíso, e eles foram expulsos para que nós não tivéssemos consciências algumas e sequer pensássemos sobre nossas existências? Mas é claro que a resposta é não. A humanidade não existe para ser ignorante; mas, sim, a humanidade ocorre para buscar saber e equilibrar a própria vida humana (e de demais espécies e seres). Este é o conhecimento – interagir de modo preciso, e certo. Saber, que deveria ser exposto a mais pessoas. Por isso, formar filósofos (técnicos em filosofia, ou, mesmo, graduações conjuntas de filosofias e outras áreas) deveria ser uma prioridade de política pública ou ao menos uma questão a se ser mais bem pensada.
Mas, afinal: existe barreiras a filosofia? E ao filósofo e a aquilo que o cerca e restringe?
Os próprios filósofos já citados dizem que há estágios de sabedoria; especialmente Locke (2015) diz que a barreira é a própria restrição da mente, do conhecimento de cada um, das ideias simples que cada um têm, e das capacidades de processar e comunicar ideias complexas – e da relação que o ouvinte, o público tem com isto. Nietzsche (2013, p. 115) diz que na “Presença dos Sentidos – Quando reflete sobre quadros, o público se torna poeta, mas quando reflete poemas, se torna observador. No momento em que o artista apela ao público, geralmente mostra falta de sentido verdadeiro, portanto, não de presença de espírito, mas de presença dos sentidos”.
Ou seja, ambos os autores afirmam que se se tem um poema, o público acha que é quadro, por vezes; e se se tem um quadro, o público acha que é poesia, enfim... Deste modo fica claro que há interferências e até mesmos ruídos (ou falhas) nos processos de comunicação; e esta é uma barreira, além da própria barreira do sentido do artista ou do filósofo, que pode confundi-lo e confundir o público, os cientistas, e etc.
O fato é que ao contrário do que se poderia supor, o século XXI não veio eliminar esta barreira. Nossa função é enfraquecer esta barreira, e não deixar mais forte a barreira do público com a filosofia, como infelizmente, querem alguns, inclusive alguns governantes: ao contrário do que desejam – que a filosofia possa voltar agora a Ágora das telas e das interessadas pessoas que se buscam por mais (saber, ser e se conhecer).
Mas há talvez, uma barreira fruto exclusivo de nosso tempo e de tantas exigências acadêmicas e profissionais. A barreira da formação de filósofos.
Para que uma pessoa seja filósofa, principalmente no século XXI, é crível que ela já deva ter estudado os 4 anos normais da faculdade de filosofia (isto é, depois de já ter feito os 9 anos do ensino Fundamental – e Infantil – e mais os 3 anos de Ensino médio e / ou os 2 anos de cursos técnico – em média); além de ser Especializada, ter um Mestrado, e etc.... ou seja, Simplesmente, hoje em dia, não poderia aparecer um Sócrates, não, ele não poderia surgir na web, sem ter cursos algum e sem que críticos dispensassem um mínima atenção a este Sócrates hipotético, sequer – que grande sorte se um dia eu, ou alguém de nós (leitores contemporâneos), visse isto acontecer como o ocorreu no século 399 a.C.
E por que isso? Porque Sócrates era adepto da indução, da retórica, da lógica, e tudo isto aberta ao público, em ambiente livre e de acesso de qualquer pessoa. Pra simplificar as coisas, ao nosso dia: proposição de ensino técnico em filosofia; exigência de um técnico em filosofia nos cursos de Ensino Fundamental, à partir da 7ª série.
Alguém aqui já viu o que a Filosofia é capaz de fazer? Apenas recentemente, especialmente lendo Locke, Kant, Descartes, Bacon e Santo Agostinho eu tive a real dimensão e abrangência que a filosofia pode adquirir.
Ela situa mente, matéria, sentidos, consciências em termos compreensíveis e transmissíveis de uma geração a outra, de um século a outro, e de quinhentos em quinhentos anos, e mais; ela nos dá parâmetros de analises, diz o que comparar metodologicamente, segundo uma dada mentalidade – que afinal, é a nossa mentalidade humana. E esta é apenas uma aplicação, e uma aplicação boa da filosofia.
E se hoje tem-se os avanços de telecomunicação, cirurgias, áreas específicas do saber; há 300 anos tinha-se invenções que também alteraram a vida das pessoas; nunca se esqueçam com os maiores inventores do mundo foram os da Renascença.
Nunca subestimem um filósofo e uma filosofia verdadeira.
O filósofo do século XXI precisa ressuscitar a filosofia.
Revisite-a; chame-a para toar um chá; faça um bolo com uma assadeira muito bem untada com uma bela farinha peneirada; use apenas peneiras bem tolerantes, sem muitas folgas; e se necessário filtrar alguma coisa, comece bebendo a água mais pura que tiver e ponha sua mente para pensar – poxa, recorri ao público. Foi mal, Nietzsche. Mas achei que era interessante mencionar isto.
Por fim, se alguma filosofia nova (e boa) for encontrada daqui pra frente, mais do que se encontrou ao longo da metade do século XX pra frente, então que este novo filósofo, o pós século XXI, assim diga a Filosofia:
_ Ora, venha. Cá achegue-se. Mas me diga o que tem você feito?
E ela responde, apenas começando a conversa:
_ Mas, eu pensei que era você quem me diria o que vocês tiveram feitos por mim estes anos todos...



REFERÊNCIAS


ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética (Organizada pelo Autor). 39ª Ed. – Rio de Janeiro: Record, 1998.

DESCARTES, René. Meditações Metafísicas. Tradução de Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São Paulo: F olha de S. Paulo, 2015. Coleção Folha [Grandes Nomes do Pensamento, v. 5].

DOSTOIÉVSKI, FiodorCrime e Castigo. São Paulo: Editora Nova Cultural, 2002. Título Original: Prestuplenie i Nakazanie.

FOUCAULT, Paul-Michel. Gênese e Estrutura da Antropologia de Kant; e, A Ordem do Discurso. Tradução de Márcio Alves da Fonseca, SalmaTannus Muchail e Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2015. Coleção Folha [Grandes Nomes do Pensamento, v. 6].

LOCKE, John. Draft A: Do Ensaio Sobre o Entendimento Humano. Tradução de Pedro Paula Pimenta. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2015. Coleção Folha [Grandes Nomes do Pensamento, v. 14].

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. O Viajante e sua Sombra. Com Prólogo de Ciro Mioranza; Tradução de Antônio Carlos Braga. São Paulo: Escala, 2013.



ERRATA

– na postagem do Barro Ao Sarro foi dito que Kant foi o pai do empirismo; como está subentendida nesta postagem, de fato Locke foi o percussor da metodologia empírica. Desculpem-nos. Se servir alguma justificativa, este erro se deu em função de Kant também ser adepto do empirismo e ter elevado esta metodologia filosófica a um nível mais além ainda do que o próprio Locke, segundo alguns autores; mas sem dúvida alguma, Locke conseguiu perceber anteriormente, o empirismo e a construção do conhecimento de modo muito mais epistemológico e fundamentalista, ao meu ver N. de E.


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