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quarta-feira, 25 de março de 2015

Caipira e Folclórico


Caipira,  Sertanejo e Folk Lore (Folclore)



 Nesta postagem, um pouco daquilo que somos: nós, por nós mesmos.
     O Brasil é um país anacrônico, atemporal e fragmentado. Na verdade há apenas 3 ou 4 momentos na história recente do país e algumas pessoas vivem em épocas “paralelas” em reflexos de outras épocas neste tempo nosso em que vivemos, vejamos:
·       Mentalidade dos anos 50: O machismo, a submissão da mulher, as indústrias robustas e não eco eficiente, mas que são lucrativas; tem uma certa aversão às diferenças raciais e culturais (mote: cada ciclo em seu ciclo), ou seja, são segmentados, de certo modo, harmoniosos, mas em um equilíbrio de quem não se entende, mas deve conviver pacificamente, mesmo que a pacificidade seja apenas aparente; A sociedade se dividia em classes (A, B, C, D e E), havia distinção de sexo e sexualidade, distinções políticas e econômicas; desta época (ou antes ainda dela) vem a origem de termos, do modo como conhecemos hoje, termos como o Popular e EruditoCaipiraRegional, “mainstream – Hollywood – , underground –guetos –, Pop – popular – e Folk – regional, folclore, basicamente. Como veremos a seguir, os anos 50 eram a Era de ouro da Música Caipira. O Rock ainda dava seus primeiros passos com Elvis Presley, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Roy Orbinson, Jackie Wilson e outros.
·       Mentalidade dos anos 80: O início da nova mentalidade mundial. A diversidade cultural, sexual, política e religiosa começa a ser melhor aceita, há um certo clima de “aceitação” das minorias e da diversidade, do apelo a democracia e aos direitos humanos; há um não mais focar apenas em lucros, resultados e produções, mas sim para a questão humana e ambiental da coisa toda (USA For Africa – We are the World, representa muito bem este paradigma LINK da Canção AQUI www.youtube.com/watch?v=Zi0RpNSELas). Na época, o Som Caipira  sofreu muito com os preconceitos de DJs, gravadoras, mídias e etc; o caipira se tornara rejeitado no Brasil (pelos agentes mediáticos diretos), todavia, o Rock Nacional, a Tropicália e a Disco Música BR ganham repercussão nacional / mundial. A MPB, o Samba e o Forró (For All), entre outros estilos, continuam com seus espaços conquistados ou avançam um pouco no “Gosto Popular”;
·       Mentalidade dos anos 90: A verdadeira miscelânea de opiniões, estilos, gostos e tendências. Os anos 90 foram o auge da diversidade cultural inconsequente, justamente pela falta de consciência ambiental, social, político e econômica daquelas gerações – a crise mundial de 2007 ainda não havia marcado o mundo tão profundamente ainda w uma certa irresponsabilidade ainda resistia em acabar. Muitos gêneros chegaram ao Brasil nos anos 90, citamos o Ska, o Reggae, o Country, a Dancehall, a Club Music, o Techno, a House, oTrance, o Drum and Bass, o Grunge, o Funk Carioca, o Rap, o Axé BahianoCaprichoso e Garantido, etc e etc... A liberdade brasileira começou depois de 1994.
·       Mentalidade de hoje em dia: O hoje é o contemporâneo, o tudo: o psy, o dub step, o sertanejo universitário, o experimental, e tudo o que existe. Esta consciência das mentalidades ajuda a situar o que realmente é novo daquilo que é apenas uma releitura ou uma coisa que já existe. Não se trata apenas da música e da cultura, do comportamento, dos estilos e da psique das eras, é muito mais: é mentalidade, é intelecto, é Cultura, Cidadania, é Arte, é internet, é hoje e sempre. Cremos que tudo tem seu espaço, hoje; todavia nem toda Arte atrai grandes quantidades de público ou audiência, mesmo tempo um conteúdo renomado ou comprovadamente de qualidade.
     Assim, nesta breve análise superficial temos os três ou quatro tipos básicos de brasileiro, do ponto de vista cultural e intelectual; é claro que dos anos 50 para os anos 2015 muito se alterou, mas como dizemos, há pessoas que ainda vivem como se estivessem naquela época e é disto que trata este post.
      Sintetizando: a mentalidade do brasileiro não é linear, retilínea. Pelo contrário. Vamos começar nos ater por hora que o som caipira, típico do Brasil, já foi valorizado, marginalizado, esquecido e desprezado; até que em nova versão, super produzida (em nada “caipira” ou do campo) ganha o gosto popular depois dos anos 80, todavia, muitos estudiosos no assunto dizem que estes sertanejos e sertanejos universitários não seriam mais a típica música caipira, talvez nem sertaneja, mas sim, um fruto pop da terra. Assim, o povo perde sua identidade, onde deve levar tradições a novos formatos, para poderem melhor se adequar aos rumos dos tempos. Nesta mistura tudo, o que é raiz, o que é forja da indústria da música, e não por nada, uma bela bofetada de pelica nas nossas caras de DJs contemporâneo deslavados (faces raspadas e hidratadas!!), que mesmo em 2015 temos preconceito com o Rural, enfim, torcemos o nariz para o caipira, as composições mais simples – como vemos, esta discussão de estilos e gostos é bem antiga e de maneira nenhuma, meus contemporâneos (ou gente do futuro distante), fomos nós quem trouxemos o underground o gueto pra nossa cidade, enquanto os outros levaram o sertanejo, o mainstream até a cidade vizinha.
      Assim, não inventamos o contemporâneo, apenas vivemos nele, enquanto alguns outros, a nossa volta, ainda, se encontram, ideologicamente, em outras eras e culturas.









Folklore & Folklorist
Folklore é folclore e Folklorist é folclórico ou folclorista. Entendemos que Folk Lore signifique a crença do povo, as lendas, o panteão da população. Folk Lorist é alguém que entretém ou esta a se entreter com assuntos, matérias sobre a crença, o panteão popular. Se as fadas são do folclore da Escócia, do Reino Unido, a Iara, o Bumba Meu Boi são do Nosso Folclore brasileiro. Gostaria apenas de dizer de um neologismo, de uma palavra, assim, Folk Lore Rich, ou Folkloricht – que é Alguém muito valioso (rico) em Folclore, algo como um mestre da cultura popular, regional. Em português, seria algo como um Folcló-Rico.








  Inezita Barroso e o Caipira, o Sertanejo e o Folk Lore:

      Segundo o Blog Recanto Caipira (endereço: http://www.recantocaipira.com.br/historia_musica.htmlno texto História da Música Caipira de Sandra Cristina Peripato, da Editora Ottoni e Prosa Caipira:
“ (...) A música caipira viveu seus melhores momentos, e também os piores, no século 20. A seguir a cronologia de surgimento dos principais personagens, compositores e cantores, da música caipira.
Década de 1920: início da revolução musical caipira.
_ Cornélio Pires e seus caipiras, Ferrinho, Sebastião Ortiz de Camargo, Caçula e Mariano (tio e pai, respectivamente, do sanfoneiro Caçulinha), Arlindo Santana e Zico Dias. Cornélio foi o autor do primeiro disco caipira gravado em 1929.
Década de 1930: formação das primeiras duplas.
_ Arlindo Santana e Joaquim Teixeira, Alvarenga e Ranchinho, Capitão Furtado, dentre outros feitos históricos foi ele quem deu nome a dupla Tonico e Tinoco.
_ Irmãos Laureano, Jararaca e Ratinho, João Pacífico, compositor de grandes sucessos como Cabocla Tereza, Chico Mulato e Pingo d’Agua.
_ José Rielli, Mariano e Cobrinha, Raul Torres e Serinha. O primeiro, ainda nesta década, formou dupla com o grande violeiro Florêncio.
_ Torres e Florêncio. Raul Torres foi ao Paraguai em 1935 e reivindicou a introdução dos rasqueados e guarânias na música caipira, que nesta época era chamada de música sertaneja. Hoje o termo “sertanejo” é sinônimo de música romântica de qualidade questionável, infelizmente.
Década de 1940: consolidação da música caipira.
_ Anacleto Rosas Júnior, compositor de sucessos como Cavalo Preto e Os Três Boiadeiros.
_ Carreirinho. Cascatinha e Inhana, dupla premiada e referência de sucesso, conheça a linda história de amor e sucesso.José Fortuna, autor, dentre outros grandes sucessos, da adaptação da guarânia Índia, interpretada por Cascatinha e Inhana.

_ Lourival dos Santos.
_ Mário Zan, italiano de nascimento e caipira de coração, criador da música Chalana.
_ Nhô Pai.
_ Palmeira. Na década seguinte se tornou diretor musical da gravadora Chantecler e criou, em 1959, o selo sertanejo.
_ Tonico e Tinoco, dupla de irmãos sinônimo de sucesso e autenticidade.
_ Zé Carreiro.
Década de 1950: período de ouro da música caipira.
_ Teddy Vieira, compositor do primeiro escalão caipira.
_ Tião Carreiro e Pardinho, entre idas e vindas, uma dupla que transcendeu o tempo e balançou o chão brasileiro. Sulino e Marrueiro. Vieira e Vieirinha, levaram a catira (que andava meio esquecida) para a música caipira. Irmãs Galvão. Biá.
_ Pedro Bento e Zé da Estrada, dupla que trouxe a cultura mexicana para a música caipira. Exageraram nos trajes e trejeitos mexicanos.
_ Goiá.
_ Silveira e Silveirinha.
_ Dino Franco.
_ Inezita Barroso, a paulista de classe média apaixonada por cultura caipira.
_ Zacharias Mourão, compositor de Flor Matogrossense e Pé de Cedro (música de Goiá, com parceria de Zacarias Mourão).
_ Zico e Zeca. Zilo e Zalo. Elpídio dos Santos, autor das canções de 23, dos 32, filmes de Mazzaropi.
_ Liu e Léu, irmãos de Zico e Zeca, primos de Vieira e Vieirinha. Família com talento de sobra.
Década de 1960: início da desaceleração.
A música caipira começou a perder espaço com o avanço da televisão, principalmente para a bossa nova. 
_ Abel e Caim. Caetano Erba. Moacir Franco. Paraíso. Sérgio Reis. Téo Azevedo.
Década de 1970: últimos suspiros de uma época áurea.
_ Renato Andrade. Renato Teixeira, poeta caipira, lançou em 1973 o clássico Romaria. Cacique e Pajé
De 1970 pra frente a música caipira vêm atravessando caminhos tortuosos. O movimento de “modernização” da música caipira culminou com o nascimento do chamado “jovem sertanejo”, que trouxe instrumentos eletrônicos e composições que nada tem a ver com o ambiente e a vida do caipira.
O que traz esperanças para os apaixonados pela autêntica música de raiz são os artistas que lutam bravamente para manter viva nossa história, dentre os que merecem destaque encontramos Almir Sater (...).”
      
            Há um movimento de ascensão e queda na música sertaneja, caipira e folclórica. Temos aqui três estilos bem distintos que se misturam, ora por desinformação das mídias e das pessoas, outrora por causa dos próprios termos empregados por gravadoras (e em alguns casos, artistas), e mais, em muito pelo preconceito as coisas da terra, ao rural, ao natural – ainda mais hoje, em que tudo tem que ser hy tech!!!
          Inezita  Barroso era uma grande estudiosa no assunto, e em entrevista dada ao Vox Populi da Tevê Cultura, ele ressaltava muito a diferença entre o Folklore, o caipira e o sertanejo. Vamos ver os principais pontos que a grande mestra do Folclore levantou na antológica entrevista:
·       Folcloreé o canto das camponesas que lavam suas roupas nos rios, é o canto do homem que trabalhou e viveu no campo a vida toda; é o canto dos pássaros, misturados ao suor dos meninos em meio ao jogo de bola na várzea, enquanto as mulheres cantam enquanto torram, preparando, a farinha de mandioca. O folclore não tem compositor de carreira, as canções do folclore são de autoria desconhecidas, bem antigas, ou cantadas pela primeira vez num ímpeto coletivo de um sentimento relacionado aos tratos da terra; ou ainda relativo às mudanças que a vida da cidade causa ao homem do campo, mas de um ponto de vista coletivo, em grupo, que invoca sentimentos da memória ancestral e coletiva entre os mesmos de um grupo rural. O Canto dos índios também é uma grande amostra do folclore nosso; tal como os tambores africanos, as danças do sul do país (como o fandango, a catira), etc.
·       Sertanejo: E sertanejo (e o sertanejo universitário) é o caipira com som eletrônico – de grosso modo. Notem que o Caipira é o som do mato, da fazenda, da roça, do camponês, da natureza, do homem no campo. O uso de guitarras, sintetizadores, teclados, caixas de ecos (samples, etc),  não é típico do som caipira. O caipira é a viola, o violão, a voz – são o clássico, os grandes nomes que vimos acima. O sertanejo já seria algo mais voltado para os anos 90 em diante, com Zezé de Camargo e Luciano; Cristian e Ralph, Gian e Giovanni (que acabaram a dupla recentemente), Bruno e Marrone, Victor e Léo, entre outros. Inezita defendia que o sertanejo foi uma nova roupagem (tanto sonora, estética, produtiva, etc) que a indústria da música deu ao som caipira, que foi muito apreciado no Brasil até 1940 – 1950. Mas ainda assim, é interessante notar que a própria Inezita chegou a contrariar o pai, de classe média, ao escolher ser folclorista e cantora de Música Caipira – claro, tudo ficou acertado depois, mas na época chegava a ser um escândalo uma mulher cantando e ainda mais, música tipicamente de homem, de “macho” – nossa homenageada deste post foi uma grande avant garde (mulher de visão, a frente de seu tempo, em termos de liberdade e livre expressão), mesmo quando voltou-se ao Campo em um momento em que muitos torciam o nariz para as coisas da terra. Do sertanejo ainda se diz de quem produz som nos sertões, ou seja, isto é o regionalismo, inclusive.
·       Caipira: O caipira é o homem que corta o mato, este é o significado da palavra na linguagem comum aos índios do interior do Brasil, na época de “invenção desta palavra”. Quando os índios haviam sido “dominados” pelo homem branco (colonizador) começaram as construções de estradas, pontes, etc. Os índios, que não tinham o costume de carpir a terra, nem cortar mato algum pura e simplesmente por devastar – e abrir estradas para a visão dos índios, sem dúvida, alguma era devastar – começaram a chamar o homem branco, colonizador, de caipira. E o termo pegou, para os homens que faziam o trabalho no campo, seja este trabalho qual fosse, ou seja, o caipira era quem preparava o território para que a civilização pudesse vir e crescer. E assim ficou caipira, o homem do campo, mas que na verdade, significa homem que corta o mato.
·       Popular: Entre a diferença entre o Popular e o Caipira (Sertanejo), neste sentido, tomemos como exemplo Zé Ramalho, Fagner, João Mineiro e Marciano, entre outros, tais artistas poderiam sim, estar em outras categorias musicais, como raiz, sertaneja, etc, mas eles ultrapassaram este ponto, caíram em gosto popular, criaram canções que serão tocadas eternamente, enfim, eles transcenderam o grupo cultura do Caipira, do Sertão e chegaram até o mainstream, o pop; ou seja, eles alcançaram a eternidade com seus sons.
      Assim, mesmo nós quem ouvimos sons alternativos, contemporâneos, temos que manter o respeito com os outros estilos, porque a batalha deles também é longa e intensa.








Edsonnando Cd Duplex of Currently Trance


    E aqui, para terminar este post sobre Folklore e Caipira, um som totalmente atual, Psy Trance, Goa Trance, Progressive Trance e House nos dois sets mixados a seguir, espero que apreciem. Até mais amigos, obrigado por lerem, ouvirem, comentarem e compartilharem este blog. See ya.



Set de Progressive Trance e Trance



Set de Goa Trance e Psy Trance

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